Por anos frequentei cultos neopentecostais especializados em segmentos específicos. Para empresários, dependentes químicos, ex-macumbeiros. Mas nada me impactou tanto quando o das 7 da manhã na Catedral da Fé, Igreja Universal da João Dias. o culto dos desesperados. Sigo…
O público era de partir o coração. Muita gente realmente pobre, às vezes descalça. Sempre com o semblante muito aflito. O clima era sério, tenso. Os fiéis orando em agonia discreta. Desesperados, como nome do próprio culto. E entra o pastor. Sigo…
“Quem tem um filho nas drogas? Quem não consegue dormir? Quem aqui não tem comida em cada, não consegue trabalho, perdeu alguém? Quem só pensa em morrer?”. Dava pra ouvir choros pela igreja. Em voz assertiva, ele deixava claro que nesse mundo físico não haveria redenção. Assim:
“Esse mundo é de sofrimento. Esse mundo é um teste, é provação. Deus está te testando para ver se você merece o paraíso.” E, finalmente, puxa a faca:
“E como Deus mede a sua fé? Através da oferta. Mas o que é a oferta? É o sacrifício. É o que faz falta”. E enfia a faca de vez:
“E como Deus mede a sua fé? Através da oferta. Mas o que é a oferta? É o sacrifício. É o que faz falta”. E enfia a faca de vez:
“Se você pode doar 10 reais e doa 10 reais, é o mesmo que nada pra Deus. Por que não faz falta pra você. Então se você pode doar 10, doe 20. Doe 30. Essa é a verdadeira oferta. Tem que te fazar falta”. Sigo…
Vi gente descalça esvaziando moedas do bolso. E em vez da sacolinha passando, no culto dos desesperados a oferta era feita em uma só fila. E dinheiro depositado em um saco sob os olhos do pastor, achacando o desespero alheio, chegando pessoalmente cada oferta. Enfim…
Vi essa cena em 1999. Anotei o que ouvi. Mas lembro de tudo como uma espécie de trauma.
Hoje, diante dos pastores do MEC, roubando em ouro o dinheiro da escola de um país desesperado, fica claro o modelo de negócio desses parasitas. Resumindo:
Hoje, diante dos pastores do MEC, roubando em ouro o dinheiro da escola de um país desesperado, fica claro o modelo de negócio desses parasitas. Resumindo:
No bairros e no governo. Dos trocados de um faminto em orçamento da educação: roubar de nós o que mais faz falta, onde mais machuca. Inviabilizar uma vida digna nesse mundo e fazer com a morte pareça, enfim, um tipo de alívio.