Tem duas coisas que matam a educação brasileira (e, por tabela, toda a sociedade).

A primeira é a seguinte: o estudo não é visto como a aquisição de uma capacidade concreta, mas a remoção de um obstáculo arbitrário.
As duas coisas são parecidas, mas o resultado é totalmente diferente. É a diferença entre você ter um diploma porque ele é um sinal que você realmente aprendeu algo e ter um diploma porque você é proibido de trabalhar sem ele.
A mesma coisa entre "se preparar realmente para a faculdade" vs. "passar no enem/vestibular" ou "aprender a ser um bom auditor fiscal/policial/etc." vs. "passar em um concurso para auditor fiscal, etc.".

É por isso que a moça lá no vídeo se orgulha do cara ser engenheiro...
... é porque "ser engenheiro" é uma espécie de título de nobreza, é um privilégio legal que você ganhou depois de passar anos lutando contra imposições arbitrárias, é um sinal de status.

De novo, embora seja parecido, é muito diferente, porque falsifica todo o foco de...
... interesse do aluno. São décadas assistindo aula e pensando em como passar na prova. Nenhum esforço em observar como o mundo real funcional. A educação brasileira (e, depois, a própria estrutura econômica) reforça uma posição de alienação radical.
E aí tem o segundo ponto: o brasileiro é formalista demais. Ele pega o currículo de Yale e acha que copiar e colocar a mesma biografia na ementa de uma faculdade brasileira vai fazer os mesmos resultados aparecerem.

A gente lê exatamente os mesmos livros que o pessoal de fora...
... mas o que a gente FAZ com os livros é totalmente diferente. Fora do BR, o objetivo é digerir os livros, ver como eles se conectam com a realidade, desenvolver a capacidade de falar com a própria voz sobre o mundo.

No Braza, o objetivo é virar um ótimo repetidor de textos...
... ser capaz de produzir discursos muito sofisticados, com muitas referências e criar a pose de um sabichão -- enquanto, claro, se puxa o saco das pessoas certas, para entrar nas panelinhas que garantirão o ganha-pão futuro.
Muito das trapalhadas da nova direita é porque todos os brasileiros -- inclusive quem é contra o sistema -- estão contaminados por essa falta de realismo.

É fácil adotar um novo discurso. Agora desenvolver capacidades reais, concretas, exigem vários anos de esforços.
Aquele negócio petersoniano de arrumar o próprio quarto é bom por isso. A turma precisa baixar a bola e se focar em algo que possa efetivamente controlar. Depois que você tiver o hábito de resolver uns três abacaxis grandes por dia, você começa a dar pitaco em outras coisas.
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