Amanhã @jairbolsonaro recebe Renato Feder para o namoro sobre o MEC. Se ele virar ministro, há um lado bom, que é levar esse sujeito embora do Paraná.
Vamos ler um trecho do livro do Feder juntos?
Vamos ler um trecho do livro do Feder juntos?
Para quem não sabe, o sistema dos vouchers é uma coisinha fofa inventada pelos liberais (leia-se Milton Friedman) para tirar a burocracia estatal da gestão escolar. A idéia parece boa. Mas não funciona, pelo menos não se você considera que a educação é algo mais que um serviço.
E se você também considerar que aqui é o Brasil. Em resumo, a idéia é o seguinte: O governo paga bolsas (vouchers) para que estudantes saiam das escolas públicas e migrem para escolas privadas, que teoricamente são melhor administradas, mais eficientes e mais baratas.
Isso tem duas consequências ruins para a educação, logo de cara. 1) Para manter a efetividade econômica da escola, os salários dos professores vão para a lona, atraindo profissionais com pouco comprometimento com a função, o que causa 2) uma "uberização" da docência.
Nas escolas criadas (e acreditem, serão criadas milhares de escolas "exclusivas" para voucher kids), os professores geralmente são temporários e enxergam no emprego um simples bico até aparecer coisa melhor. O perfil típico é o universitário recém-formado em início de carreira.
A rotatividade de professores em escolas geridas por dinheiro de vouchers é altíssima, e simplesmente não é possível estabelecer projetos de longo prazo nem vínculos com a comunidade.
O negócio é péssimo para a docência. Mas também é péssimo para os alunos.
O negócio é péssimo para a docência. Mas também é péssimo para os alunos.
Há outro aspecto também que merece consideração. Os vouchers gera a concorrência entre as várias empresas de educação, e isso parece uma coisa boa, pq a concorrência gera maior eficiência, certo? Correto, quando se pensa no mercado. Mas qdo falamos de vouches...
Não estamos falando de mercado, mas de dinheiro público. A concorrência não é pelos consumidores, mas pelo ÚNICO consumidor, o Estado. E aí temos o mais interessante: o serviço não é prestado para quem "consome" o serviço, mas para uma burocracia impessoal lotada em Brasília.
As demandas que deverão ser satisfeitas não são as dos alunos, mas as dos burocratas, dos sistemas, das planilhas, enfim, do sujeito que aperta o botão no FNDE, que hoje deve ser um cara do PP.
O que o Feder representa é o lobby dos liberais que disputam dinheiro público fingindo que prestam um serviço ao mercado, mais ou menos como a Multilaser, empresa da qual ele é sócio, que vendeu milhares de computadores para escolas do Paraná, enquanto
O efeito disso é o aumento daquilo que vimos chamando de establishment: a casta de felizes que vivem direta ou indiretamente de dinheiro público. Há os funcionários públicos, os juízes, os políticos, os artistas da Rouanet, os jornalistas das verbas de publicidade...
e também os liberais que mamam no erário.
Mas nada melhor do que o exemplo. Vouchers (ou charters schools, há pouca diferença) são apenas a reedição Kids do ProUni e do FIES, os meios criados pelo PT para expandir a rede de universidade privadas e atender a demanda...
Mas nada melhor do que o exemplo. Vouchers (ou charters schools, há pouca diferença) são apenas a reedição Kids do ProUni e do FIES, os meios criados pelo PT para expandir a rede de universidade privadas e atender a demanda...
de empresários da educação que estavam desesperados com a inadimplência. O ProUni foi uma mãe para os estudantes de baixa renda, e uma amante para os donos de faculdades. Durante o governo petista, surgiram uma infinidade de UniEsquinas, oferecendo cursos de baixa qualidade...
quase que totalmente financiadas por dinheiro público via FIES e ProUni. Em 2014, por exp., o governo federal repassou mais dinheiro para a Kroton do que para a Odebrecht. Com o corte no FIES feito por @AbrahamWeint, a Króton desvalorizou 27%.
A gigante da educação universitária, para diversificar seu portfólio, e sabendo que boa parte da equipe econômica do governo queria a cabeça de Weintraub justamente por ele não ver com bons olhos a boquinha dos vouchers, comprou o controle da Somos Educação, a maior empresa...
de educação básica do país, por R$ 4,6 bilhões. O Somos Educação tem escolas, sistemas de ensino e editoras didáticas. E segundo o presidente da Króton, o grupo continuará comprando escolas e colégios menores e locais.
Segundo levantamento da própria empresa,
Segundo levantamento da própria empresa,
o mercado de ensino básico é 1.8 vezes maior do que o superior. Isso sem contar os estudantes de escolas públicas que seriam absorvidos pelo sistema de vouchers. As possibilidade de perpetuação da oligarquia são infinitas.
Renato Feder controlando o orçamento de R$ 148bi do MEC representa para todo esse mercado a salvação da lavoura e recuperação do pote de ouro perdido com Weintraub.
Há outras coisas interessantes sobre Feder, mas o GSI e o @CarlosBolsonaro podem muito bem ir atrás.
Há outras coisas interessantes sobre Feder, mas o GSI e o @CarlosBolsonaro podem muito bem ir atrás.