Ontem postei um tweet falando sobre como o discurso de Guedes na reunião do dia 22 de abril mostrava afinidades com a política de Hjalmar Schacht, ministro da economia da Alemanha nazista entre 1934 e 1937. Evidências:

1) Guedes cita nominalmente Schacht.
2) O discurso é uma defesa das frentes de trabalho - política que foi iniciada antes do nazismo, mas se tornou a principal forma de trabalho da Alemanha nazista, em especial na construção das "Reichsautobahn" - as auto-estradas alemãs.
A partir disso, muita gente veio questionar se o uso do termo "reconstrução" (Wiederaufbau) não se referia à Alemanha pós-guerra (no caso, Alemanha Ocidental).

Argumentei que não é o que indicava o discurso de Guedes, tendo em vista os motivos citados.
Mas a pulguinha ficou atrás da orelha. E fui dar uma olhada, já que a coisa tem que ser travada na minúcia da língua, segundo o fã-clube do adorador de Pinochet.

Pois bem: wiederaufbau é, de fato, a tradução alemã para a reconstrução - em especial arquitetônia - e foi usada...
...para se referir a Alemanha (Ocidental e Oriental) no pós-guerra.

Mas os nazistas tinham também um termo para "reconstrução", ou melhor, "reordenação". Neuaufbau.

Que foi empregado pela Alemanha nazista oficialmente em 1934, na "Gesetz über den Neuaufbau des Reiches".
Essa lei reorganizava a estrutura administrativa do Estado alemão, abolindo a república federativa.

Mas talvez o termo mais apropriado do alemão não seja nem Wiederaufbau e nem Neaufbau, mas sim Neue Plan, ou "Novo Plano", as medidas do Schacht para a economia do Reich.
Basicamente, a proposta era criar uma ideia de autossuficiência na economia industrial alemã - burocratizando as exportações - combinando com uma política de corte radical aos programas sociais.
Ao mesmo tempo, desde 1933, Schacht (que na época era presidente do banco central da Alemanha) já defendia as Reichsarbeitsdienst, ou frentes de trabalho do Reich. A ideia era basicamente gastar milhões do Estado para que os desempregados alemães ingressassem em...
...frentes de trabalho, cujo pagamento era menor do que o salário mínimo oferecido - na verdade, em muitos casos, o pagamento era menor do que o anterior a crise de hiperinflação de 1929.

Essa combinação de cortes em programas sociais e um massivo programa de construção civil...
...foi um dos segredos da Alemanha nazista para conter o desemprego. Ao mesmo tempo, a repressão contra sindicatos e a criação da Deutsche Arbeitsfront (a Frente de Trabalho Alemã) minou toda a capacidade de negociação coletiva.
Salários achatados, militarização do trabalho e responsabilidade fiscal. Esse foi o receituário Schacht, que só saiu do governo nazista em 1939, porque começou a achar que a guerra era um gasto fiscal desnecessário.
Agora, vejamos, novamente, as falas de Paulo Guedes na fatídica reunião do dia 22 de abril:

1) Alusão à Schacht e a reconstrução alemã no pós-Primeira Guerra (p. 59 do laudo):
2) A criação de frentes de trabalho para a construção de estradas - como fez a Alemanha (p. 64 do laudo).
3) A defesa do equilíbrio fiscal e da redução de gastos públicos a todo o custo (várias partes - esse trecho está na p. 12)
Em suma: Hjalmar Schacht, ministro da economia de Adolf Hitler, é inspiração, sim, de Paulo Guedes, citado nominalmente por ele na reunião. Não é acidente. É acordo com programa econômico mesmo.

Parem de passar pano.
PS: Guedes-boys, quando vocês dizem que o plano de Schacht foi eficiente, vocês só esquecem que a política do governo em que ele fazia parte incluía coisas como as "Leis de Nuremberg" que definiram os parâmetros de Pureza Racial do país.

A economia não está separada do resto.
E mais, se você realmente não vê problema em ser cúmplice do nazismo, não tem jeito. Tem gente que aprende no amor e gente que aprende na dor. https://tenor.com/view/punch-punch-in-the-nazis-face-hit-gif-15832947
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