DESSA VEZ SERÁ DIFERENTE? O QUE ACONTECE APÓS A CRISE?

1) Ontem publiquei um texto no TC School para falarmos sobre a história das crises e o que aconteceu após 300 anos de análise de dados no mundo inteiro.
3) O artigo é divido em cinco partes. Conforme apresentado abaixo:

1) Introdução: renda variável varia para cima e para baixo
2) Agora é diferente…
3) O que geralmente ocorre depois das crises
4) Diversificação é a alma do negócio
5) Uma possível conclusão
4) Vamos falar sobre a ocorrência das crises.

Pesquisas com investidores individuais e institucionais mostram, nos EUA, que a avaliação dos investidores sobre a probabilidade de uma crise eminente é muito maior do que a probabilidade observada com dados históricos.
5) No geral, um investidor individual médio dos EUA, estima que um colapso catastrófico do mercado de ações tem 20% de chance de ocorrer nos próximos seis meses.

Isso demostra que os investidores estão constantemente preocupados com as quedas do mercado.
6) No Brasil será que temos crises com muita frequência?

Vamos olhar para a distribuição dos retornos diários do Ibovespa:
7) Quando tivemos as maiores variações no Ibovespa?

- Anos 1990 em geral
- Crise de 2008
- Crise do Covid-19
8) O QUE GERALMENTE OCORRE DEPOIS DAS CRISES

Vimos, no texto, que no geral os mercados apresentam alta variação, com grandes subidas seguidas de quedas bruscas.

Os motivos são variados e sempre existe a sensação de que desta vez tudo vai acabar.

Mas será que vai mesmo?
9) De acordo com o artigo “Negative bubbles: what happens after a crash” de Goetzmann & Kim (2018), novamente, os dados históricos indicam que... normalmente o mundo não acaba após as crises.

De outra forma, não estaríamos aqui no twitter!
10) Para chegar a tais conclusões, os autores utilizamos dados de 101 bolsas de valores globais ao longo de três séculos para examinar a dinâmica do mercado após grandes quedas

(Os dados foram obtidos da base de dados do Global Financial Data de 1692 até 2015)
11) O QUE ACONTECE 12 MESES APÓS UMA QUEDA DE ATÉ 50%?

- Em 59,40% dos casos, ocorreram retornos positivos após um ano da queda (última linha, coluna 7).

- A chance de ocorrer um retorno maior que 100% é de 9,6%.
12) Ou seja, dos 1032 casos onde ocorreram quedas de 50%, o mercado apresentou um retorno acima de 100%, um ano depois, em aproximadamente 100 deles.

A tendência é que após uma queda brusca, ocorram retornos positivos com até 59,40% de chance (vide a coluna 7, linha 6)
13) Mas lembre-se: a pesquisa foi feita com vários países ao longo de 300 anos.

Então, dado que essa é uma amostra de mais de 100 bolsas, é preciso adicionar controles para afirmar com maior certeza que os resultados não foram influenciados por fatores específicos de cada país.
14) Vamos à econometria, inserindo controles adicionais:

Os resultados do Modelo 1 mostram, tudo mais constante, um retorno negativo no ano anterior de até 10% está associado a um retorno menor de -6,2% até 1 ano depois

Após pequenas quedas devemos observar novas quedas futuras
15) Porém, um retorno negativo de -100%, está associado a um retorno de 14,0% em até um ano depois.

Uma interpretação dessa dinâmica de retorno é o comportamento cíclico – por exemplo, persistência em horizontes curtos e reversão em horizontes mais longos.
16) os resultados demonstram a existência de dois padrões:

** PRIMEIRO: Os mercados com um grande colapso de -50% ou mais têm uma alta probabilidade de recuperação, e os preços dos ativos após esse colapso é quase 14% maior do que os preços no ano anterior.
17)

**SEGUNDO: Declínios de mercado de até -40% são mais prováveis de serem seguidos por outro declínio, e a magnitude desse declínio é de aproximadamente 6% a 9% nos 12 meses seguintes.
18) Em resumo, tudo mais constante:

- Um pequeno declínio no mercado leva a uma queda muito maior nos dois anos seguintes

- Uma grande queda precede uma recuperação no ano posterior
19) NA PRÁTICA: O QUE PODEMOS FAZER COM TODOS ESSES DADOS?

Se você não usou nenhuma proteção ou não vendeu tudo antes da queda, você já perdeu dinheiro.

Não adianta muito vender tudo agora, ou buscar fazer proteção quando o caos já está instaurado.
20) Note que seu patrimônio não deverá voltar em um ano!

De acordo com os resultados, depois de uma queda de -50% até -100%, os retornos serão de 14% em média.

Vender tudo, não deve ser, provavelmente, a melhor decisão a se tomar agora.
21) NÃO DÁ PARA SE PROTEGER DO PASSADO, MAS COMO ME PROTEJO DE EVENTOS COMO ESTE NO FUTURO?

Essa é uma pergunta difícil, mas temos algumas alternativas:

A) Montar uma estratégia de hedge
B)Aceitar que você não sabe quando as crises chegarão e nem quando terminarão. Diversifique
23) Como montar uma carteira bem diversificada?

Na Tabela 3, temos uma comparação de diversas metodologias de montagem de carteiras de investimentos.
24) Note que nenhuma delas foca apenas em ações! Qual é o motivo disso?

A explicação é que se o investidor aplicar recursos apenas no mercado de ações, ele deixará de ter o ganho da diversificação em outras classes de ativos.
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